segunda-feira, abril 13, 2009

Imitações de vida.

Imitações de vida.


Da sarjeta do esgoto ao alto escalão
Levando vidas avarentas,
Lutando pela diferença de ser igual aos outros
É um sentimento suicida miserável ininteligível e não consumado.

Angustia expressa em palavras e contradições,
percepções fragmentadas, comparações,
vazios de percepção, lágrimas rubras no pulso
ulceras na alma e silêncio descontente.

Espíritos torpes

Espíritos torpes

Almas desfiguradas
numa dança.
Atraem-me como moscas no mel.
não existem formigas ou cigarras.

terça-feira, maio 20, 2008

Contrastes




De noite as luzes iluminam
A cidade e contrastam
Com nossos corações sem iluminação.
Criaturas que devíamos dominar nos dominam
E vícios que escondemos afloram
Como estigmas e pus.

E todas as coisas efêmeras, abstratas,
Imóveis e estéreis
São mais reais e vivas do que
A pessoa solitária no frio
Ou a rosa que cresce em meio aos automóveis

Homem de preto











Feri a mim mesmo hoje
Para ver se ainda sinto dor
Ainda me lembro
É a única coisa real.

Uso essa coroa de espinhos
Em um trono de mentiras
Pensamentos despedaçados
Não posso consertar as manchas do tempo

Os sentimentos desaparecem
O que eu me tornei, doce amigo?
Todos que conheço
Vão embora ao final.

Um império sujo, um legado
Eu vou fazer você sofrer
Por que feri a mim mesmo hoje
Para ver se ainda sinto dor

Se pudesse começar de novo
Milhões de quilômetros longe daqui
Poderia encontrar um caminho
Que não fosse tão solitário.

Vestido de preto, procuro
Uma amante, minha mente
Minha alma, meu coração
Procuro arco-íris na escuridão

Até lá, percorro o caminho solitário
Ferindo a mim mesmo com agulhas
Para sentir-me vivo sentindo dor
Vestindo preto em um luto paradoxal

À espera do arco-íris vou tentar
Tirar um pouco de escuridão de minhas costas
Mas até que tudo comece a brilhar
Brincarei de ser o homem de preto.

quinta-feira, abril 10, 2008

Nada comum.




Violoncelos tocam.
Um quarteto inteiro de cordas.
Sobre uma paisagem sombria e decadente.
Ela esta lá, cercada por folhagens, que são espalhadas pelo vento.
Comungando uma dança, anônima , caótica. Linda.
Seus cabelos são carregados também pelo vento.
Enquanto ela corre em direção oposta.
Tudo parece estar perfeito e alinhado.
Uma cena que merecia ser retratada em uma pintura
No entanto.
É apenas um sonho.
Um sonho narrado por uma voz grave e melancólica.
Sobre um amor que não pode acontecer.
Dois corações que não podem estar juntos.
São tocados pelo mesmo luar.
Decadente, sombrio, frio, nostálgico.
Quisera eu poder sonhar.
Quisera eu ser artista.
Minhas obras seriam felizes.
Casais felizes em suas felizes casas celebrando suas felizes vidas.
Tudo perfeito.
Mas não sou artista. Não sei brincar com palavras.
Meu sonho é ridiculamente doente.
Meu sonho é negro como o passado consegue ser.
Como um filtro meus sonhos apenas absorvem o negro e o vermelho.
O cinza e o nublado.
Não sou ninguém. Não sou artista. Não mereço perdão. Não mereço carregar teu nome.
Mas os violoncelos ainda tocam.
Ainda existe uma mulher.
Existe uma musica.
Existe um luar.
Mas eu nunca consigo o alcançar.
Este é o meu pesadelo .